quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Clarinha e Memórias de um Reino tão tão distante


Querida Clarinha,
Era uma vez um reino tão tão distante, alguns chamam de Terra do Nunca, lugar onde as pessoas faziam amizades pelas ruas sinuosas e pelos motivos mais engraçados... Sua mãe e eu nos conhecemos nesse reino! O motivo? Eu usava uma saia que fez com que ela pensasse que só uma pessoa elegante usaria! E depois de finalmente encontrar um lugar pra morar, sua mãe, como sempre prestativa, resolveu ajudar às outras pessoas que ainda perambulavam pelo reino procurando uma humilde casinha para passar madrugadas inteiras fazendo continha, tardes de pão de queijo com tereré e noites assistindo filmes!
Numa dessas noites sua mãe e eu assistimos a um filme chamado “A casa do lago”! O filme falava sobre o tempo, que como diz o poeta, é “sempre tão inventivo”. Sua mãe se indignou com a trama porque não tinha conexões com a realidade, pois o casal romântico estava em tempos diferentes e trocava cartas através dessa casa do lago. Enfim, para que os dois ficassem juntos haveria um tempo de espera pra que um conseguisse entrar no tempo do outro! Na minha opinião o filme é lindo, vale a pena assistir!
O tempo é realmente uma loucura, como sugere o filme... Você mesma nasceu em 2011, mas entrou na minha vida muito antes, lá nesse reino tão tão distante ainda em 2005! Eu infelizmente, por causa desse mundo de adultos que literalmente travou uma luta contra o tempo, ainda não pude te pegar no colo, mas acompanho cada foto que sua mãe posta nas redes sociais, eu as salvo no meu computador numa pasta chamada “Clarinha”!
Você tão pequenina, talvez vivencie isso com muito mais intensidade do que nós “adultos”, apesar de não ter dimensão do que essas palavras dizem! O amor é assim, maior que o tempo e ultrapassa suas barreiras!
Hoje eu escrevo sobre o amor que tenho por você, mas atualmente você se quer sabe falar, andar, muito menos, ler! Mas eu tenho certeza que você, garota esperta que é, sente o quanto é amada! Outra característica do amor, ele é maior do que os códigos que os humanos inventaram para se comunicar! Isso me lembra uma musiquinha muito lindinha que se chama “More than words”. Essa música sugere que o amor é mais do que palavras. Tem um trecho assim muito interessante que diz que um amor que não precisa ser falado, porque a pessoa amada simplesmente já sabe (Then you wouldn't have to say. That you love me 'cause I'd already know). A minha tradução não é muito boa, quando você precisar de ajuda em inglês peça ao seu tio Djalma que é fera nesse assunto!
Eu continuo morando nesse Reino tão tão distante e talvez seja desnecessário dizer mais uma vez: Eu te amo muito!
Com carinho,
Tháta.

More than words:

Foto do Reino tão distante:



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um."
(Andam dizendo por aí que é do Fernando Pessoa)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Eu DesPenso!

Dias desses a Mirian veio me falar que não dá conta dos meus pensamentos, que eu a convenço de algo com argumentos super pertinentes e tempos depois estou pensando totalmente diferente!

É verdade, eu penso, depois deixo de pensar, DesPenso!

Eu pensava que existiam uns casais nada a ver, que alguns caras mais simples não fossem dar conta das “dondoquices” de algumas meninas, hoje eu penso que, no fundo, os casais que permanecem juntos é porque tem algo muito em comum, muito mais do que imaginamos.

Pensei uns tempos (pouco tempo, diga-se de passagem) que eu poderia ser freira! Muitos amigos riam da possibilidade de eu entrar no Carmelo, mas olha só, nasci no dia 16 de julho, dia de Nossa Senhora do Carmo, entrei numa comunidade inspirada pela espiritualidade de Santa Teresinha, tudo a ver! Vivia cantarolando: “Ser tua esposa, Oh Jesus, carmelita, mãe das almas, deveria ser bastante pra mim”! Já hoje eu tenho certeza que quero casar e ter filhos, mas confiante de que “no coração da Igreja serei o Amor” e usando o escapulário para que Nossa Senhora do Carmo me busque no purgatório!

Tinha certeza que uma filha minha se chamaria Maria Helena, sorte da minha filha que passou essa fase Manuel Carlos da minha vida! Tinha certeza que adotaria uma menina e lhe daria o nome de Pérola, ainda quero adotar, mas quem sabe ela já virá com um nome lindo, Maria quem sabe... Hoje também penso em dar à minha filha o nome de Liz ou Lis, não sei, uma forma de homenagear minha mãe eLIZane e uma garota que gostaria que minha filha se parecesse com ela, Lissandra! Quero ter um filho também, esse é João Pedro, desde muito tempo... Mas hoje estou aberta a discutir o nome dos filhos com o pai deles!

Até poucos dias eu pensava que não iria fazer doutorado fora do país, já to com 24, não perdi minhas esperanças de casar e fico pensando que durante tempo que eu estaria fora, poderia conhecer alguém aqui no Brasil. Não acho que tenho estrutura pra namorar e casar com um europeu, nem com gaúcho! Sim, isso é preconceito (e esse preconceito com gaúcho persiste)! Acharia terrível ter filhos que não gostassem de ir pra Rondônia e desprezassem minhas raízes! Hoje tô começando a achar que não adianta tentar prever o futuro e que mesmo eu ficando no Brasil esses 4 anos pode ser que eu não encontre ninguém.. E que mesmo quando eu tiver com 28 anos ainda estarei nova! Também to achando que meus filhos vão gostar de Rondônia à medida que mostrar pra eles o valor que existe lá!

Eu pensava que festa não era lugar de conhecer alguém interessante, até que conheci algumas pessoas interessantes nas festas, outras não... Hoje procuro pessoas interessantes em lugares menos tumultuados, sempre de olho na BBT, missas, aeroportos, apresentações de corais e churrascos da pós graduação!

Quando entrei na UFV pensava que com certeza voltaria a morar em Rondônia, vislumbrava muito campo de trabalho no meu estado, é verdade, tem mesmo, muitos amigos meus estão lá e eu já tive propostas! Hoje penso que tanto pode ser RO como qualquer outro estado da federação...

Eu sempre quis ser magra, até vi no twitter algo que eu concordei profundamente, “ser gordo é querer ser magro”. Tempos atrás entrei numa “vibe” de me aceitar com os meus quilinhos a mais. Descobri que mais importante que ser magra é estar bem comigo mesma, cuidar dos meus cabelos, vestir roupas adequadas para o meu corpo! Hoje eu to querendo ser magra de novo, mas bem feliz com quem eu sou, e de cabelos curtíssimos agora, uma gracinha gente!

Se eu tivesse que me definir eu diria que ser Nathália Thaís é sempre mudar de opinião... De qualquer forma, hoje em dia to achando que ninguém tem que se definir nada, tem que ser como Santa Teresinha: “Eu sou o que Deus pensa de mim”!


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

"Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão."
(Oswaldo Montenegro)




terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sobre jardins, borboletas e afins...


"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você!" Esse dizer supostamente de Quintana - supostamente porque ouvi dizer que há controvérsias – sempre me tocou muito. E de fato faz muito sentido embora eu não entenda muito de biologia nem de jardins. No entanto, parece racional que uma borboleta queira estar num lugar cheio de flores e sol. Aliás, uma querida amiga estudante de biologia (a Teté) me ensinou que a borboleta precisa se aquecer no sol para que possa ter energia, forças não sei, pra voar... Enfim, a metáfora do jardim e das borboletas é capaz de conciliar beleza e sabedoria. Mas devo confessar, aliás esse blog tem se tornando um confessionário, que sempre me ative à parte das borboletas e não ao jardim... Nessas vindas e, sobretudo nas idas das borboletas acabei, por força maior, redescobrindo a beleza do meu jardim. Inspirada num dizer de Pe Fábio ousaria acrescentar que a ida das borboletas também deve estar a serviço do aprendizado... A luz do sol permanecia ali radiante, vez ou outra, o sol engraçadinho sorri pra mim (só hoje sorriu duas vezes)... Na ida a Riozinho (distrito onde fica a associação do grupo indígena Paiter/Suruí a 30 km de Pimenta), peguei uma tempestade horrorosa, e quando estava eu voltando apesar das nuvens que eu via na direção de Pimenta, o sol todo engraçadinho ficava sorrindo no retrovisor, como se me dissesse: Eu estou com vc! Mais tarde voltou a sorrir. Semana passada mandei um e-mail pedindo que alguém me substituísse na equipe de lanche da Pequena Via, e ao contrário do comum ou do senso comum, apareceram algumas almas generosas dispostas a me substituir. Hoje recebi um e-mail de uma florzinha dizendo que na equipe de lanche deste sábado tinha mais meus substitutos do que membros da própria equipe. Como Deus é simples, usou de algo tão pequeno para me mostrar o quanto Ele me propiciou amizades e encontros verdadeiros... No meu jardim também tem flores lindas... Cada uma de um jeito, mas lindas! E são tantas que tem horas que é difícil cultivar todas elas... Me refiro à amizade! Coisa boa é ter amigo! Gente que vê um vídeo e se lembra de você, gente que literalmente caminha com você, gente que viu você nascer, gente que você viu nascer, gente que nasceu na mesma época que você, gente que faz você ser gente, gente que sabe explorar o melhor que há em você... Concordo com Caetano, gente é muito bom! No centro desse jardim tem em formato de coração (breguinha jardim em formato de coração né, o que comprova a minha crença de é tênue a linha que separa dos afetos da breguice) tem muitas plantinhas que compõe a minha grande família. Esse espaço é cercado por imponentes pés de açaí, pois não poderia faltar os fortes traços e raízes do Norte... E embora seja família, é nesse espaço que estão as mais diferentes espécies de plantas, tem rosa, mas tem espinho, tem girassol, mas a cada vez que o sol se despede ele fica tristinho, tem margarida (e essa é de verdade, tenho uma tia chamada Margarida), e tem Margarida precariamente americanizada.. Dayse, que tem o mesmo som de Daisy, margarida em inglês... Tem cravo, cacto, coqueirinhos, os coqueirinhos são para lembrar da família do Nordeste (Pesquise no Google Imagens sobre a praia de coqueirinho e terá noção de como é bonita essa parte do jardim)... Meu Deus, como é grande e tem de tudo nesse jardim! Se me permitem outra confissão, tenho percebido que algumas flores andaram murchando sem atenção... Umas que gostam de sombra e que estava demasiadamente expostas à luz, outras que gostam de luz e que estavam sem vida à sombra... Hora de remanejar os afetos! E as borboletas? Não sei! Esperar ou inesperar?Ainda estou em dúvida, mas certa de que é tempo de cuidar do jardim!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Minha oração de hoje!


Não tenho medo de andar de avião. Na verdade eu tenho medo que um avião caia em cima de mim! Sabe-se lá porquê... Medos costumam ser assim, não se sabe muito bem onde eles nascem.
Eu inclusive gosto de andar de avião, e neste sentido, e talvez em outros, eu sou um pouco marxista, adepta às tecnologias para poupar tempo que poderá ser gasto com maior qualidade de vida. E os marxistas que me desculpem se eu tiver entendido errado!
Na época em que as passagens aéreas ainda não tinham preços mais acessíveis, fazíamos (eu com minha família) viagens homéricas para ver a praia e alguns parentes, 5 dias dentro de um carro, cruzando Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Pernambuco até chegar ao Ceará ou à Paraíba. Numa viagem de 5 dias qualquer CD, por melhor que fosse, ia à exaustão... Na verdade, os CD’s nem eram tão bons assim, Roberto Carlos, Zezé Di Camargo e Luciano, Elba Ramalho (essa sim é boa) e Chiquititas... Repertórios na ponta da língua no quinto dia de viagem... e ainda tinha a volta!!! Sem contar o tanto de xixi que se tinha que segurar, afinal de contas uma viagem longa como essa não poderia ser interrompida por qualquer motivo!
Também andei muito de ônibus e apesar de amar as “montanhas gerais” como tem repetido Paula Fernandes nas paradas de sucesso, a experiência com este meio de transporte tem sido um pouco mais traumática neste estado... E se é ruim pra mim, para o cobrador “pobrezito”, deve ser um saco! A cada roça em que se pára para deixar entrar no ônibus passageiros, periquitos, galinhas e um salgadinho muito comum neste estado, o famoso “gula”, o pobre cobrador lá vai contanto o número de passageiros denovo e passando poltrona por poltrona acordando aqueles que embarcaram no ponto inicial, e cuja passagem já foi devidamente conferida na entrada, para verificar a passagem. Toda vez eu me pergunto: E se eu perder essa passagem, o que vou fazer? Será que vou ter que comprar outra? E se eu não tiver dinheiro pra pagar? Melhor não perder! Nesse aspecto, acho que os rondonienses são bem mais tranqüilos, acho que tem menos medo de perder... Gostaria de anunciar aos cobradores de Minas que essa profissão em Rondônia é bem menos enfadonha!
Mas enfim, eu tenho bons motivos pra gostar de avião. Sei que os riscos são infinitamente menores do que uma viagem em solo! Como diria a avó de um grande amigo,o Guilherme, é muito melhor morrer de avião, porque você vira notícia, a família é indenizada. Segundo ela, se a pessoa morre em acidente de carro, fica lá estirada no asfalto num calor infernal, o defunto fica debaixo de uma lona preta e de vez em quando vem um curioso, levanta a lona pra ver se era alguém conhecido. Dona Regina, apesar dos exageros, tem razão, muito degradante morrer de acidente de carro!
Devo confessar, contudo, que toda vez que entro no avião tenho uma conversa séria com Deus, é claro que Deus conhece meus exageros e meu jeito trágico de ser, deve achar até graça das coisas que profiro. Digo a Ele que se for a minha hora, que conforte os meus familiares, peço perdão pelos meus pecados e que Deus, pela sua infinita misericórdia, e não pelos meus poucos méritos, me permita habitar no lindo céu.... Sabe-se lá, nem o dia, nem a hora, melhor estar com tudo em ordem com Deus né?!
Mas nessa última viagem não foi bem assim. Tendo lido um texto que foi como um bálsamo para minha alma, descobri que não podia colocar uma placa de “vende-se” nos meus sonhos, fiz uma oração diferente nesse último voo. Pedi a Deus que me deixasse viver, pois eu tinha muitos sonhos pra serem realizados, sonhos gestados no próprio coração de Deus. Acho que hoje poderia utilizar um dizer de Santa Teresinha com muito mais maturidade com que já utilizei outrora, “Deus não me inspiraria desejos irrealizáveis”... E se de alguma forma minhas aspirações mais profundas estão relacionadas a um projeto de santidade, são sonhos que o próprio Deus não quer que eu desista. Depois dessa oração, percebi-me uma pessoa muito viva, seja para ser feliz, seja para sofrer. O sofrimento então não deveria ser uma forma de encarar a vida com desmotivação, mas era mais uma forma de encarar, desse meu jeito exagerado de ser, a VIDA em abundância que o Cristo prometeu pra humanidade.
Naquele voo, a palavra de Filipenses pôde finalmente fecundar meu coração: Esqueço-me do que ficou pra trás e avanço para o que está a frente (Fl, 3, 13b).