segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Antes que o outono acabe...


Passados três meses do último grande "cambio" da minha vida, agora finalmente tenho condições de traduzir o que, "poquito a poco", fui digerindo nos últimos tempos. É bem verdade que ficou congelada como uma fotografia a imagem da despedida na rodoviária de Viçosa. Depois de tantas despedidas era chegada a hora do "adeus adeus"... e estavam lá os valentes companheiros que foram comigo até o fim, a Dayse, o Juliano, a Perci, a Mirian, a Ana, a Márcia e o Bruno... Impossível falar disso sem segurar uma lágrima! Como esquecer aquele que parecia um rito de passagem?! Emoções, sentimentos, lembranças... O velho e o novo num instante, naquele mesmo lugar precário: A traumática rodoviária de Viçosa, na mais traumática experiência ainda de entrar e "voar" num pássaro verde.
Naquele mesmo momento eu tinha muitos medos e subestimei minha capacidade de ser feliz... Ou melhor, desconsiderei a possibilidade de existir felicidade para além da minha zona de conforto chamada Viçosa, ou melhor, Viciosa!
A verdade é que encontrei feliz surpresas pelo caminho... Padre Paulo tem razão: Deus pode nos surpreender a qualquer momento! 
Nascida na conhecida Pimenta Bueno, as estações do ano eu só conhecia pelo livro de ciências. E do outono,  ficou registrada aquela imagem da folha caindo. Imagem mais triste, não?! Na verdade Não! O que não contaram nos livros de de ciência é que antes de cair, as folhas mudam de cor, colorindo a bela paisagem da Galícia... A Espanha Verde ganha inúmeras outras cores!
Também tinha construído a ideia de que todo europeu era frio, e eu ingênua pesquisadora, que insiste nos perigos das generalizações, comprei essa ideia pensando que passaria por um longo processo de interiorização e solidão. Esqueceram de me contar que a Espanha é o país da festa, que uma "caña" (chopp) em Lugo é mais barata que comprar uma garrafinha de água mineral e mais, que vem acompanhada de ricos "tapas". Em Lugo também me esperava reencontros com gente muito legal, novos encontros, uma cadelinha da qual eu sou tia, a Lila, colegas de classe e festas super animadas, e um grupo de oração, Emanuel, que me devolve ás minhas aspirações mais profundas...
É claro que Lugo é demasiado cinza e eu também tenho meus dias cinzas, sobretudo quando coincide domingo, com TPM e trabalhos pra entregar na segunda... Estou aprendendo a driblar os domingos tristes com exercícios físicos (endorfina meu amor), com a nova profissão de manicure e dona de casa, com almoço com os meus chicos do Brasil, assim são chamados pelos meus amigos espanhóis! Também driblo meu corpo com os câmbios climáticos! Haja vincigripe! E aí chega a segunda, novo dia na Terra do Hoje! Sigo assim, vivendo, ou tentando viver, como Teresinha ensinou, o Hoje tão somente... e especialmente neste momento de acordo com as estações!
Amanhã fará três meses que cheguei em Lugo... e antes que o outono acabasse eu consegui dizer e amar tudo isso!!!
 Jantar oficial do Máster

 Baladas não oficiais do máster

 Lila da titia!

Festa junina num bar mexicano!!!


 Lugo colorida 1 - Fotos roubadas do face do Flávio!

 USC colorida!


Cores para os dias cinzas!!!!

Nath manicure!

sábado, 1 de setembro de 2012

Em homenagem a Minas!


É bem possível que você inúmeras vezes tenha me ouvido falar das coisas que estranhei em Minas. A lista era grande: casas em cima de morros, um vocabulário que eu nunca daria conta de entender e atitudes igualmente estranhas! Não raro também despertei nos meus amigos a vontade de conhecer Rondônia, exaltando a beleza dos rios e das retas! Tática, inconsciente, porém tática!!! Bem já dizia Sartre: “Se estou invertido em um mundo invertido, tudo me parece direito”.
Eu já era o próprio estranhamento! Como uma pessoa sairia de Rondônia pra estudar em Minas? Pergunta mais recorrente dos últimos 9 anos: O que você veio fazer aqui? Então, diante de tanto estranhamento, minha tarefa, antropológica, vale salientar, era fazer com que os mineiros estranhassem um pouco da sua própria realidade!
Mas eu não vou negar... Minas tem seus encantos...inúmeros encantos!
A começar por Drummond que eu adoro! Uma confissão/lamento: Eu queria ter conhecido Itabira! E quando realmente gosto de alguém, eu ouso discordar! Que me desculpe o poeta, mas essa história de que “Minas não há mais” ta por fora! Minas sempre haverá, principalmente no coração daqueles provaram um bom pão de queijo quentinho acompanhado de uma prosa igualmente aquecedora dos corações!
Falando em pão de queijo, nada melhor do que você ir ao supermercado e comprar por 1,99 um saquinho de pão de queijo para assar! E o melhor, ta cheio de queijo no pão de queijo! Óbvio?! Não, minha gente! Os pães de queijo de Rondônia são recheados de AR!
Em Minas não só tem igrejas lindas, mas lotadas de gente que a vivificam, de mãos pra cima para cantar o Hosana!
Ai em Minas tem abraço! Que delícia! Abraço de chegada, abraço de despedida, abraço da paz na Igreja! Mineiro gosta tanto de abraço que o padre é obrigado a exortar na hora da missa: SEM SAIR DO LUGAR, deseje a paz ao seu irmão!
O vocabulário também é simplificador! Tá feliz? Nuu! Tirou nota baixa na prova? Nuu! Tá curioso? Nuu! E “Nuu” não tem nada a ver com nudez (nota esclarecedora para um não mineiro que esteja lendo esse texto). É que Nuu é uma abreviação precária de Nossa Senhora, ou melhor, mineiramente dizendo, NussaSinhora! Outro objeto não identificado que facilita a fala é o trem! Você come um trem, você conta um trem e você até mesmo anda de trem, em passeios mais do que charmosos de São João a Tiradentes ou de Ouro Preto a Mariana!
Os mineiros são conhecidos no Brasil por serem tacanhos! E muitos são mesmo! Mas só quem já experimentou a acolhida em uma casa genuinamente mineira é que entende onde reside a generosidade desse povo! Sempre tem um cafezim, um queijim, um cantim pra você se aconchegar!
Os mineiros sofrem pelo fato do mar não banhar Minas Gerais, e justificam, em letras de músicas, que a alternativa é ir pro bar! Os bares são bons, mas eu devo discordar também do pseudo-poeta! O melhor de Minas não são os butecos, mas as pessoas! Pessoas, que com esse jeito de comer quieto e observar tudo antes de falar ou tomar uma decisão, revelam uma grande virtude: A escusa dos julgamentos apressados ou da escolha errada!
E para finalizar resolvi concordar com o poeta autor do hino (que eu não sei o nome): Oh Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais!!!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mudar de casa...


Uma vez ouvi do Padre Fábio que amar é mudar de casa... Queria sinceramente saber se o contrário também é verdadeiro, se mudar de casa é  também uma forma de amar... Talvez! 
Não estou mudando só de casa, mas de pátria. Eu sempre repeti que quem viaja leve pode passear pelo aeroporto, dessa vez não tem muita escolha a não ser viajar leve, levar só o necessário à nova vida e isso tem vários desdobramentos.
Hoje comecei a separar alguns materiais pra dar pro Semente, algumas coisas vão pra Rondônia, outras serão doadas aos amigos, outras vão acabar indo pro lixo mesmo!
Remexendo nos meus arquivos, fico vendo tanta coisa guardada que retratam a minha vida nessa, que como minha mãe desejou quando passei no vestibular, FELIZ CIDADE.
No material do Semente, rascunhos, preparações de estudos, materiais sobre os Sete Pecados (naquela época falei sobre a soberba e lembro-me que a Val falou sobre a gula), estudos sobre Eclesiástico e também de Lucas. Lembranças do chocolate com Semente, cafés da manhã no RU, tardes agradáveis no Recanto, abraços apertados, partilha sobre a Semana, chá de fraldas do Otávio, despedidas.. Vi tantos partirem como Renner, Fernandona, Fernandinha, Samuel, Flavinho, Elisa, Val, Juliano, Samuel,  vi outros entrarem (e partirem tb) Samuel de novo (Graças á Deus, o retorno), Ana Cris, Vivi, Mirian, Giseli, Perci (nosso enxerto), Nínive..André, Renato..
Fiquei pensando o quanto Deus se fez acessível através desse grupo de estudo bíblico. 
Quando eu me formei me chamaram de última hora na missa pra entrar com uma arvorezinha (pesaada)  representando o Centro de Ciências Agrárias, foi inevitável o paralelo... Aquela que em 2005 era a Semente Menor tinha germinado..
Mexer nos materiais da Pequena Via  me remeteram a alguns retiros anuais e também determinadas formações marcantes.. Me recordaram que Deus é por excelência um Cumpridor de promessas e que tudo debaixo do sol é vaidade a não ser o Amor de Deus por nós..
Encontrei também materiais de cálculo, mostrando-me meus fracassos, meus limites, minhas derivadas (rs), mas sobretudo a necessidade do aprendizado nas adversidades. Se não fosse o cálculo, não teria me aproximado da Hilda Simone que foi essencial nesse e em outros momentos, não teria contado com as tutorias do Lucas, um bom amigo, não teria virado noites com pessoas tão legais como a Isa, Liz e Mariana. E não teria aprendido, principalmente, que somos um conjugado de limites e possibilidades, e que um não elimina o outro, mas nos ajuda a descobrir com clareza quem somos..
Nesses materiais também tem rascunhos da minha biografia de formatura, biografia escrita por pessoas que me mostravam naquele momento que não importava onde eu estava, porque acima de tudo, eu estava do lado de dentro, lado de dentro dos corações de muitas pessoas, meus amigos, grandes grandes amigos!
Esses materiais apontam para muitas histórias entrelaçadas, afetos, sentimentos, fases, amadurecimento, quedas e tantos outros momentos... 
Dá vontade de ter tudo guardadinho, mesmo assim, eles estariam empoerando, sem utilidade e contribuindo com a minha rinite alérgica.
A cada momento existe algo que seja útil.. é preciso dar utilidade ao que já passou.. e passou porque tinha que passar, mas não que tenha deixado de se eternizar.
Sigo assim... mudando de casa...