É
bem possível que você inúmeras vezes tenha me ouvido falar das coisas que
estranhei em Minas. A lista era grande: casas em cima de morros, um vocabulário
que eu nunca daria conta de entender e atitudes igualmente estranhas! Não raro
também despertei nos meus amigos a vontade de conhecer Rondônia, exaltando a
beleza dos rios e das retas! Tática, inconsciente, porém tática!!! Bem já dizia
Sartre: “Se estou invertido em um mundo invertido, tudo me parece
direito”.
Eu já era o próprio estranhamento!
Como uma pessoa sairia de Rondônia pra estudar em Minas? Pergunta mais
recorrente dos últimos 9 anos: O que você veio fazer aqui? Então, diante de
tanto estranhamento, minha tarefa, antropológica, vale salientar, era fazer com
que os mineiros estranhassem um pouco da sua própria realidade!
Mas eu não vou negar...
Minas tem seus encantos...inúmeros encantos!
A começar por Drummond
que eu adoro! Uma confissão/lamento: Eu queria ter conhecido Itabira! E quando
realmente gosto de alguém, eu ouso discordar! Que me desculpe o poeta, mas essa
história de que “Minas não há mais” ta por fora! Minas sempre haverá,
principalmente no coração daqueles provaram um bom pão de queijo quentinho
acompanhado de uma prosa igualmente aquecedora dos corações!
Falando em pão de queijo,
nada melhor do que você ir ao supermercado e comprar por 1,99 um saquinho de
pão de queijo para assar! E o melhor, ta cheio de queijo no pão de queijo!
Óbvio?! Não, minha gente! Os pães de queijo de Rondônia são recheados de AR!
Em Minas não só tem
igrejas lindas, mas lotadas de gente que a vivificam, de mãos pra cima para
cantar o Hosana!
Ai em Minas tem abraço!
Que delícia! Abraço de chegada, abraço de despedida, abraço da paz na Igreja!
Mineiro gosta tanto de abraço que o padre é obrigado a exortar na hora da
missa: SEM SAIR DO LUGAR, deseje a paz ao seu irmão!
O vocabulário também é
simplificador! Tá feliz? Nuu! Tirou nota baixa na prova? Nuu! Tá curioso? Nuu! E
“Nuu” não tem nada a ver com nudez (nota esclarecedora para um não mineiro que
esteja lendo esse texto). É que Nuu é uma abreviação precária de Nossa Senhora,
ou melhor, mineiramente dizendo, NussaSinhora! Outro objeto não identificado
que facilita a fala é o trem! Você come um trem, você conta um trem e você até
mesmo anda de trem, em passeios mais do que charmosos de São João a Tiradentes
ou de Ouro Preto a Mariana!
Os mineiros são
conhecidos no Brasil por serem tacanhos! E muitos são mesmo! Mas só quem já
experimentou a acolhida em uma casa genuinamente mineira é que entende onde
reside a generosidade desse povo! Sempre tem um cafezim, um queijim, um cantim
pra você se aconchegar!
Os mineiros sofrem pelo
fato do mar não banhar Minas Gerais, e justificam, em letras de músicas, que a
alternativa é ir pro bar! Os bares são bons, mas eu devo discordar também do
pseudo-poeta! O melhor de Minas não são os butecos, mas as pessoas! Pessoas,
que com esse jeito de comer quieto e observar tudo antes de falar ou tomar uma
decisão, revelam uma grande virtude: A escusa dos julgamentos apressados ou da
escolha errada!
E para finalizar resolvi concordar com o poeta autor do hino (que eu
não sei o nome): Oh Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais!!!