sábado, 1 de setembro de 2012

Em homenagem a Minas!


É bem possível que você inúmeras vezes tenha me ouvido falar das coisas que estranhei em Minas. A lista era grande: casas em cima de morros, um vocabulário que eu nunca daria conta de entender e atitudes igualmente estranhas! Não raro também despertei nos meus amigos a vontade de conhecer Rondônia, exaltando a beleza dos rios e das retas! Tática, inconsciente, porém tática!!! Bem já dizia Sartre: “Se estou invertido em um mundo invertido, tudo me parece direito”.
Eu já era o próprio estranhamento! Como uma pessoa sairia de Rondônia pra estudar em Minas? Pergunta mais recorrente dos últimos 9 anos: O que você veio fazer aqui? Então, diante de tanto estranhamento, minha tarefa, antropológica, vale salientar, era fazer com que os mineiros estranhassem um pouco da sua própria realidade!
Mas eu não vou negar... Minas tem seus encantos...inúmeros encantos!
A começar por Drummond que eu adoro! Uma confissão/lamento: Eu queria ter conhecido Itabira! E quando realmente gosto de alguém, eu ouso discordar! Que me desculpe o poeta, mas essa história de que “Minas não há mais” ta por fora! Minas sempre haverá, principalmente no coração daqueles provaram um bom pão de queijo quentinho acompanhado de uma prosa igualmente aquecedora dos corações!
Falando em pão de queijo, nada melhor do que você ir ao supermercado e comprar por 1,99 um saquinho de pão de queijo para assar! E o melhor, ta cheio de queijo no pão de queijo! Óbvio?! Não, minha gente! Os pães de queijo de Rondônia são recheados de AR!
Em Minas não só tem igrejas lindas, mas lotadas de gente que a vivificam, de mãos pra cima para cantar o Hosana!
Ai em Minas tem abraço! Que delícia! Abraço de chegada, abraço de despedida, abraço da paz na Igreja! Mineiro gosta tanto de abraço que o padre é obrigado a exortar na hora da missa: SEM SAIR DO LUGAR, deseje a paz ao seu irmão!
O vocabulário também é simplificador! Tá feliz? Nuu! Tirou nota baixa na prova? Nuu! Tá curioso? Nuu! E “Nuu” não tem nada a ver com nudez (nota esclarecedora para um não mineiro que esteja lendo esse texto). É que Nuu é uma abreviação precária de Nossa Senhora, ou melhor, mineiramente dizendo, NussaSinhora! Outro objeto não identificado que facilita a fala é o trem! Você come um trem, você conta um trem e você até mesmo anda de trem, em passeios mais do que charmosos de São João a Tiradentes ou de Ouro Preto a Mariana!
Os mineiros são conhecidos no Brasil por serem tacanhos! E muitos são mesmo! Mas só quem já experimentou a acolhida em uma casa genuinamente mineira é que entende onde reside a generosidade desse povo! Sempre tem um cafezim, um queijim, um cantim pra você se aconchegar!
Os mineiros sofrem pelo fato do mar não banhar Minas Gerais, e justificam, em letras de músicas, que a alternativa é ir pro bar! Os bares são bons, mas eu devo discordar também do pseudo-poeta! O melhor de Minas não são os butecos, mas as pessoas! Pessoas, que com esse jeito de comer quieto e observar tudo antes de falar ou tomar uma decisão, revelam uma grande virtude: A escusa dos julgamentos apressados ou da escolha errada!
E para finalizar resolvi concordar com o poeta autor do hino (que eu não sei o nome): Oh Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais!!!