terça-feira, 7 de outubro de 2014

Meu pretérito imperfeito


O pior dos passados é sempre o pretérito imperfeito.

Imperfeito pelo simples e doloroso fato de não se desdobrar em presente...

Imperfeito como amores que não eram capazes de enfrentar seus medos.

Como uma ponte que nunca terminava de ser construída...

Como o trem que esperava os últimos trilhos para poder conectar um lugar a outro, pessoas a outras...

Como o voo que não era capaz de atravessar todo o Atlântico, que não diminuía a distância entre dois continentes, nossos continentes.

Imperfeito como a escolha do gris em meio uma infinidade cores e possibilidades...

Os olhos verdes da cor dos teus montes não se fechavam nem se rendiam aos mais apaixonados beijos. Permaneciam vigilantes, obedecendo à alerta de não mais amar...

De todas as cores, a tua preferida já não será por ti contemplada, no céu mais azul amazônico.

Ai pretérito, é tão duro caminhar  pela tua imperfeição...

Por que não sabes conjugar passado e presente? Se souberas, já serias mais que perfeito...Eu sei, eu soube, eu sabia. Se eu soubera talvez...

A única forma de que sejas perfeito é reconhecer e conjugar no tempo certo: Foi BOM.

Ai pretérito, eu já sei, a única coisa que você me ensinou é que, como as cores, existem uma infinidade de conjugações, do qual o presente está altivo, confiante e soberano na arte conjugar o melhor dos tempos: O hoje...Nada mais que hoje...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

SI TÚ ME OLVIDAS


"QUIERO que sepas
una cosa.
Tú sabes cómo es esto:
si miro
la luna de cristal, la rama roja
del lento otoño en mi ventana,
si toco
junto al fuego
la impalpable ceniza
o el arrugado cuerpo de la leña,
todo me lleva a ti,
como si todo lo que existe,
aromas, luz, metales,
fueran pequeños barcos que navegan
hacia las islas tuyas que me aguardan.
Ahora bien,
si poco a poco dejas de quererme
dejaré de quererte poco a poco.
Si de pronto
me olvidas
no me busques,
que ya te habré olvidado.
Si consideras largo y loco
el viento de banderas
que pasa por mi vida
y te decides
a dejarme a la orilla
del corazón en que tengo raíces,
piensa
que en ese día,
a esa hora
levantaré los brazos
y saldrán mis raíces
a buscar otra tierra.
Pero
si cada día,
cada hora
sientes que a mí estás destinada
con dulzura implacable.
Si cada día sube
una flor a tus labios a buscarme,
ay amor mío, ay mía,
en mí todo ese fuego se repite,
en mí nada se apaga ni se olvida,
mi amor se nutre de tu amor, amada,
y mientras vivas estará en tus brazos
sin salir de los míos."

(Pablo Neruda)


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Além Mar…


Rondoniense, a 3 mil quilômetros da praia, só fui conhecer o mar com 11 anos. Creio que a essa idade já me haviam ensinado de geografia o suficiente para abstrair os conceitos hidrográficos, de rio, mar, lago... 

No entanto, extasiada diante da imensidão do mar Atlântico que conheci no Ceará, me ocorreu uma conceituação nova: Mar era aquilo que eu não podia ver a outra margem. Fácil de explicar o raciocínio pouco  lógico, ainda que tenha conhecido rios muito largos como os amazônicos, nada se comparava àquele horizonte que meus olhos não eram capazes de alcançar e que me trazia profunda paz...

Passados alguns anos me aventurei  por esse mar, que é tão grande quanto às possibilidades que temos na vida. Conheci a outra margem do Atlântico, resolvi passar uns anos por aqui... 

Hoje eu sei que tem outra margem, e que a imensidão do mar é do tamanho da saudade que sinto, na vulnerabilidade de ser estrangeiro, mas é também do tamanho da coragem que me estimulou a cruzá-los, de superar meus medos e de me reconhecer capaz de ser feliz em qualquer lugar do mundo... Aprendendo que existem muitos tipos de felicidade, e ainda que sinta saudade da minha própria risada escandalosa e despreocupada com os julgamentos alheios, vou experimentando o gosto do riso que escapa leve e acanhado em meio às dúvidas, diante da natureza, da coragem de se apaixonar mesmo neste cenário sempre em transformação.

Tem dias que o árduo metier de pesquisadora me leva a comparar a tese como a outra margem deste oceano... A gente não vê, sabe que existe, mas que ainda existe um extenso caminho a percorrer e que nem todos os trechos do percurso são acompanhados de bons ventos.

Navegar é preciso, tem razão o poeta e os marinheiros, mas viver é a prioridade... Nada pode ser colocado à frente da felicidade.... Sem ela nada... Nem o bojador vale a pena, mas a sua poesia e seu legado sim, Fernando Pessoa! ;)


domingo, 29 de junho de 2014


Querida Kátia,
Desde quando você se foi um monte de palavras ficou aqui no coração... Ás vezes querendo sair, ás vezes tendo que enterrar...
Chegando o 4 de julho foi difícil não deixar fluir tudo o que venho guardando estes 6 meses. Há 27 anos nos conhecemos... 12 dias depois que você nasceu, eu nasci. Datas e números sempre marcados nas minhas memórias remotas, 4 de julho, 451 2844, o nosso laço profundo por ser afilhada dos meus pais, porque você mesma escolheu... Como não chorar de saudade?!
Desde que você se foi fiquei revisitando minhas memórias, chorando escondido e chegando até você pela força das lembranças... Passeei pela nossa infância, pelos dias divertidos na chácara e na represa, nosso ateliê de roupa de bonecas, nossos brigadeiros pouco produtivos, sessão da tarde na casa da sua avó, festas na casa do Marvel, sua elegância para ir a lanchonete Mega Lanches, seu jeito de desenhar com carinhas catchup e maionese no prato antes de chegar a pizza no rondochop e a palavra que agregou ao meu vocabulário:monótono! Que menina mais esperta!
Ah se eu soubesse que você era anjo, teria olhado mais vezes nos seus olhos verdes azulados (depende do dia e da cor do céu) e teria pedido a Deus que nos desse a graça de vc ficar um pouquinho mais!
Te agradeço muito, muito mesmo, por ter-me mandado o recado de ir te ver na loja naquele dia que estava em Pimenta e conversar de coisas da vida... Mesmo com caminhos diferentes, naquele dia vi o mesmo sorriso daquela menina doce e as responsabilidades da vida adulta...
Agora que eu sei que você é um anjo, só posso pedir ao Bom Deus, que você esteja bem, e se não for pedir muito, que toda a luz que vem de você, nos ensine a amar do jeito certo, que sejamos capazes de construir um mundo de paz de verdade e que, cada vez que olhemos o céu da cor dos seus olhos, que você pisque pra nós e que mesmo em meio à tribulação, possamos ouvir: Pensamento positivo sempre!
Katita, eu te amo muito...
Sua sempre amiga,
Tháta.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

De tempos em tempos....


Existe um tempo pra cada coisa debaixo do sol, já dizia a sabedoria bíblica. Hoje em dia também se fala muito sobre os ciclos, a necessidade de fechar uns e iniciar outros... Não sei se é bem assim, mas essa relação com TEMPO continua me desconcertando e muitas vezes me consertando... Isso mesmo, um com c e outro com s. Um se relaciona a arranjos musicais e as notas da vida, e o outro se refere a me ajeitar mesmo!
As coisas vão tomando seu prumo ... é só ESPERAR (por mais duro que isso seja para uma pessoa ansiosa como eu e talvez você)...
Kátia e tia Dalva se foram precocemente, num inverno que não tinha fim... Quanta dor, dor pela perda, dor pelas dores de um mundo violento, sedento de amor e VIDA... Tia Dalva se foi, mas ela ainda vive em suas filhas, no seu mais novo neto, filha da Aninha que está pra chegar! E ainda há quem não acredite no milagre da vida... nessas coisas desconcertantes do tempo. O brilho dos olhos verdes azulados da Kátia se eternizaram nas nossas memórias como uma luz que traz paz e talvez, em algum lugar do universo, esteja intercedendo por ela, a paz.
Também foi como o desabrochar de uma flor na primavera que vi a Dayse - aquela que outrora era uma menina diante dos seus medos, da vida que lhe insurgia repleta de desafios que nada tinham que ver com a comodidade da casa dos pais – livre, pronta e feliz para arquitetar seus sonhos e projetar suas metas...
A gente vai vendo que não há dor que sempre dure... E que o que faz o êxtase é justamente a sua pequena duração (vide bailes da UFV, churrascos e carballeiras, aprecie sem moderação,rs!) ... E que a colheita é mesmo obrigatória.
A gente continua saboreando a alegria dos encontros e sofrendo pelas covardias, ingratidões, medos alheios e nossos...
De tempos em tempos... quando a gente vive os dois lados da moeda, a gente também se redescobre... quando a dor vira sabedoria, quando se prova do amor sem limites e se contrasta com os limitantes e limitados, a gente tem mesmo é vontade de SER... de voltar a ler bons livros, de redescobrir o amor pelas coisas que faz, de valorizar quem te ama e te cuida...
De tempos em tempos, a gente se arrisca a viver páscoa ainda que ainda seja quaresma... aprende a separar ideologia de fé e a caminhar com menos medo...
De tempos em tempos, dá aquela vontade de voltar a correr, de fazer pic nic no rio...

De tempos em tempos...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Uma colcha de retalhos…

Toda pessoa que se dedica ao universo paralelo que é o mundo científico sabe da angústia representada pela folha de Word em branco!
Por mais técnico que seja o texto, ele remete à arte da tessitura. Sempre está pendente de um ajuste, uma harmonia, capaz de transformar a técnica, os resultados, o esforço, a subjetividade em intersubjetividade, ou seja, em algo que pessoas de distintas áreas do conhecimento possam ler e, o maior desafio de todos, entender!
É como fazer uma colcha de retalhos, na qual suas inúmeras ideias precisam estar devidamente costuradas em um lugar que lhes cai bem, que conecta com outras de forma ordenada e bela...
Uma colcha de retalhos não é uma bagunça. Pelo contrário, ela é a prova que o caos, que diferentes perspectivas podem se conectar, trazendo ao mundo um resultado único, o COSMO! 
Nenhuma colcha de retalhos é igual à outra, ainda que muito parecidas...Mas o que faz dela única no mundo? Já não existem colchas de retalhos suficientes?
A resposta é (ainda que provisória, já que no mundo acadêmico tudo é assim, tão fugaz): O amor que você dedica a ela... E esse amor, pode fazer com que esta colcha faça de você único (a) no mundo... uma pessoa apaixonada e que crê no que faz, algo semeará de muito bom no caminho...
Eu estou aqui, introduzindo a minha longa colcha de retalhos chamada tese, com um monte de idéias soltas... Dias de ânimo, dias de desânimo... Ela também é testemunha das minhas dores, das minhas tristezas, dos dias de alegria que culminam num surto de criatividade... 

Minha colcha de retalhos, minha companheira e amiga... Sigamos juntas, com ânimo e confiança de que em algum dia você seja bela e, acima de tudo, útil, que possa trazer ao mundo o calor de uma ciência comprometida com a transformação.