terça-feira, 7 de outubro de 2014

Meu pretérito imperfeito


O pior dos passados é sempre o pretérito imperfeito.

Imperfeito pelo simples e doloroso fato de não se desdobrar em presente...

Imperfeito como amores que não eram capazes de enfrentar seus medos.

Como uma ponte que nunca terminava de ser construída...

Como o trem que esperava os últimos trilhos para poder conectar um lugar a outro, pessoas a outras...

Como o voo que não era capaz de atravessar todo o Atlântico, que não diminuía a distância entre dois continentes, nossos continentes.

Imperfeito como a escolha do gris em meio uma infinidade cores e possibilidades...

Os olhos verdes da cor dos teus montes não se fechavam nem se rendiam aos mais apaixonados beijos. Permaneciam vigilantes, obedecendo à alerta de não mais amar...

De todas as cores, a tua preferida já não será por ti contemplada, no céu mais azul amazônico.

Ai pretérito, é tão duro caminhar  pela tua imperfeição...

Por que não sabes conjugar passado e presente? Se souberas, já serias mais que perfeito...Eu sei, eu soube, eu sabia. Se eu soubera talvez...

A única forma de que sejas perfeito é reconhecer e conjugar no tempo certo: Foi BOM.

Ai pretérito, eu já sei, a única coisa que você me ensinou é que, como as cores, existem uma infinidade de conjugações, do qual o presente está altivo, confiante e soberano na arte conjugar o melhor dos tempos: O hoje...Nada mais que hoje...

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