Rondoniense, a 3 mil quilômetros da praia, só
fui conhecer o mar com 11 anos. Creio que a essa idade já me haviam ensinado de
geografia o suficiente para abstrair os conceitos hidrográficos, de rio, mar,
lago...
No entanto, extasiada diante da imensidão do mar Atlântico que conheci no Ceará, me ocorreu uma conceituação nova: Mar era aquilo que eu não podia ver a outra margem. Fácil de explicar o raciocínio pouco lógico, ainda que tenha conhecido rios muito largos como os amazônicos, nada se comparava àquele horizonte que meus olhos não eram capazes de alcançar e que me trazia profunda paz...
No entanto, extasiada diante da imensidão do mar Atlântico que conheci no Ceará, me ocorreu uma conceituação nova: Mar era aquilo que eu não podia ver a outra margem. Fácil de explicar o raciocínio pouco lógico, ainda que tenha conhecido rios muito largos como os amazônicos, nada se comparava àquele horizonte que meus olhos não eram capazes de alcançar e que me trazia profunda paz...
Passados alguns anos me aventurei por esse mar, que é tão grande quanto às possibilidades que temos na vida. Conheci a outra margem do Atlântico, resolvi passar uns anos por aqui...
Hoje eu sei que tem outra margem, e que a imensidão do mar é do tamanho da saudade que sinto, na vulnerabilidade de ser estrangeiro, mas é também do tamanho da coragem que me estimulou a cruzá-los, de superar meus medos e de me reconhecer capaz de ser feliz em qualquer lugar do mundo... Aprendendo que existem muitos tipos de felicidade, e ainda que sinta saudade da minha própria risada escandalosa e despreocupada com os julgamentos alheios, vou experimentando o gosto do riso que escapa leve e acanhado em meio às dúvidas, diante da natureza, da coragem de se apaixonar mesmo neste cenário sempre em transformação.
Tem dias que o árduo metier de pesquisadora me leva a comparar a tese como a outra
margem deste oceano... A gente não vê, sabe que existe, mas que ainda existe um
extenso caminho a percorrer e que nem todos os trechos do percurso são acompanhados
de bons ventos.
Navegar é preciso, tem razão o poeta e os
marinheiros, mas viver é a prioridade... Nada pode ser colocado à frente da
felicidade.... Sem ela nada... Nem o bojador vale a pena, mas a sua poesia e seu legado sim, Fernando Pessoa! ;)
