Querida Kátia,
Desde quando você se foi um monte de palavras ficou aqui no
coração... Ás vezes querendo sair, ás vezes tendo que enterrar...
Chegando o 4 de julho foi difícil não deixar fluir tudo o
que venho guardando estes 6 meses. Há 27 anos nos conhecemos... 12 dias depois
que você nasceu, eu nasci. Datas e números sempre marcados nas minhas memórias
remotas, 4 de julho, 451 2844, o nosso laço profundo por ser afilhada dos meus
pais, porque você mesma escolheu... Como não chorar de saudade?!
Desde que você se foi fiquei revisitando minhas memórias,
chorando escondido e chegando até você pela força das lembranças... Passeei
pela nossa infância, pelos dias divertidos na chácara e na represa, nosso
ateliê de roupa de bonecas, nossos brigadeiros pouco produtivos, sessão da
tarde na casa da sua avó, festas na casa do Marvel, sua elegância para ir a
lanchonete Mega Lanches, seu jeito de desenhar com carinhas catchup e maionese no
prato antes de chegar a pizza no rondochop e a palavra que agregou ao meu
vocabulário:monótono! Que menina mais esperta!
Ah se eu soubesse que você era anjo, teria olhado mais vezes
nos seus olhos verdes azulados (depende do dia e da cor do céu) e teria pedido
a Deus que nos desse a graça de vc ficar um pouquinho mais!
Te agradeço muito, muito mesmo, por ter-me mandado o recado
de ir te ver na loja naquele dia que estava em Pimenta e conversar de coisas da
vida... Mesmo com caminhos diferentes, naquele dia vi o mesmo sorriso daquela
menina doce e as responsabilidades da vida adulta...
Agora que eu sei que você é um anjo, só posso pedir ao Bom
Deus, que você esteja bem, e se não for pedir muito, que toda a luz que vem de
você, nos ensine a amar do jeito certo, que sejamos capazes de construir um
mundo de paz de verdade e que, cada vez que olhemos o céu da cor dos seus
olhos, que você pisque pra nós e que mesmo em meio à tribulação, possamos
ouvir: Pensamento positivo sempre!
Katita, eu te amo muito...
Sua sempre amiga,
Tháta.

