terça-feira, 16 de agosto de 2016

"La cobardía es asunto
de los hombres, no de los amantes.
Los amores cobardes no llegan a amores,
ni a historias,
se quedan allí.
Ni el recuerdo los puede salvar,
ni el mejor orador conjugar."

https://www.youtube.com/watch?v=_nbFvSpETIs

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Nathi ao espelho


Quando vi essa foto pensei: Espelho espelho meu? Meu rosto aí refletido em um sorriso tão meu.
Sempre fui de riso fácil e escancarado. A felicidade não me dá medo, ela me convida a desfrutar dos seus momentos, ás vezes efêmeros, mas profundos e capazes de me mover em direção aos meus sonhos.
Antes eu ria mais... Mas é verdade que não levava as marcas das perdas, das decisões e das grandes mudanças.
Hoje eu sorrio melhor.
Sorrio pela alegria de identificar e dar nome aos meus sentimentos.
Sorrio por não ter vergonha de expressá-los.. Hoje eu sorrio permitindo que a vida me surpreenda, que me traga o amor. Hoje eu sorrio sabendo que o amor virá com toda a coragem necessária para assumi-lo, wherever I have to go, whatever I have to do.. I’ll find you..
Hoje eu sorrio, apesar da ansiedade advinda das inseguranças.
Eu sorrio pra mim mesma nas minhas autodivertidas conversas mentais.
Hoje eu sorrio porque eu sei que meu sorriso é luz na medida que lhe cabe.
Depois de chorar, ás vezes também sorrio... Para lembrar a alma o que é mais importante.

Outras vezes eu brinco com as palavras e com os sentimentos nos meus textos... E essa é uma das mais sublimes formas do meu sorrir...

domingo, 8 de maio de 2016

As flores da estação

Cheguei em casa com a minha mala... As roupas espalhadas pelo sofá, outras no varal móvel no meu apartamentinho de 60 metros quadrados: respirei feliz e aliviada de chegar num lugar provisoriamente tão meu.
O final de semana tinha sido especial. Sevilha, que geralmente tem uma cor especial, nos recebeu com chuva, o que não roubava em nada o seu encanto, mas ás vezes sim o meu humor (odeio andar na chuva)! Fui para reencontrar as minhas amigas internacionais. Tanto tempo morando fora que fico meio sem saber o que é internacional, mas as minhas amigas internacionais (autodenominadas gatinhas), são minhas amigas anglo-saxãs que conheci num intercâmbio de idiomas e cujos encontros são um verdadeiro prazer, sobretudo quando eu entendo as piadas, rs! Sou a única lusófona, e por mais que minhas amigas digam que não, meu inglês ainda é sofrível!
Depois de me permitir uma boa escapada do que nós sobrepesos chamamos reeducação alimentar, busquei o que tinha no armário da cozinha. Por muito chef que eu quisesse ser, pouco se podia fazer com macarrão integral, atum e orégano. Para compensar a pobreza do almoço, me proporcionei um duplo prazer, o aroma e o sabor de um cafezinho feito na minha humilde cafeteirinha italiana. Por um mundo com menos cafés em cápsulas!
Aprendi, com uma grande amiga, que quem gosta de provar os sabores dos diferentes sabores dos alimentos e pratos, gosta também dos sabores da vida... E são tantos.
A viagem a Sevilha me permitiu muitos deles... O sabor leve da cerveja do sul da Espanha. O sabor doce das amizades que faço pelo mundo. O gosto tão espanhol de tomar sangria com as gatinhas. A alegria de deixar pra trás o sabor amargo dos amores imperfeitos. A beleza de reconhecer a doçura na imperfeição destes mesmos amores.
Assim que comecei a minha viagem em direção a Sevilha percebi que algo tinha mudado em mim depois da minha última viagem... Entendi que seguiria meus dias sentindo muita saudade de quem me mostrou que é muito bom ser dois, e ao mesmo tempo matando a saudade de uma boa e velha companheira: essa mulher que eu me tornei com todos os sonhos de menina do mundo! 
Resolvi fazer um acordo comigo mesma. Fiz um exercício mental de colocar dentro de uma caixinha bem linda todas as recordações que me acompanham: dos beijos apaixonados, das mãos dadas, dos passeios com um cachorrinho do qual eu também tenho saudade, das conversas diárias, das conversas francas sobre um futuro incomum, dos capítulos de friends e de todas as vezes que até o nosso silêncio dizia: “me encantas”.
Eu vou olhar essa caixinha todas as vezes que eu sentir saudade. Tal qual Neruda “me tiembla la boca su temblor delicado, saudade”

E vou seguir os meus passos, e vou seguir com meus versos, até o dia que seja até prazeroso o exercício de abrir e fechar essa caixinha, que fez de mim uma Nathália ainda mais capaz de amar... Sim, saudade...




sexta-feira, 17 de abril de 2015

Um dia realmente especial

Provavelmente a primeira frase que a minha irmã escutou ao acordar hoje foi: “A essa hora há 25 anos eu estava no hospital com a minha Dayse nos braços...” e ela deve ter continuado assim... “era grande, cabeludinha...”. Assim nos desperta a nossa mãe nesses dias realmente especiais, nos demais ela coloca a mão fria nos nossos pés quentinhos e canta: Acorda Maria Bonita...!!!..”
Hoje é tão especial que me despertei antes do despertador, uma das pequenas - grandes satisfações da vida! E com uma felicidade mais, é dia de sol (os que moram ou já estiveram na Galicia entendem de que tipo de satisfação eu estou falando).
Mas hoje é realmente especial porque é um daqueles dias que o mundo ganhou uma pessoa virada pra luz! Dayse sempre foi bem danada e sempre teve esse coração generoso. Me lembro direitinho que quando a mamãe vinha me castigar, ela chorava como se fosse com ela... Por incrível que pareça fiquei eu com a fama de chorona, mas se tem um choro que eu tenho escutado é o da Dayse... Não se acostuma às despedidas e chora... Chora porque ama, porque quer todo mundo do ladinho dela, chora porque arquitetar sonhos tem seus custos, chora porque sente verdadeiramente o mundo e as pessoas...
Tivemos uma infância normal, com direito a  briga de irmãs que ou você já vivenciou ou já escutou falar: “Solta que eu solto”! Já fui vítima das traquinagens da Dayse, presenteada com um colchão mijado e já fiz a Dayse refém em um guarda-roupas por horas... Eu tive a fase Canção Nova e havia uma disputa declarada pela televisão naquelas tardes cujas nossas preocupações eram as aulas de inglês segunda, quarta e sexta!
Viçosa foi para nós um marco, uma experiência de família, de amizade... Os amigos meus, os seus, os nossos... Tudo junto e misturado. 
Saudade dos velhos tempo?! Bobagem! O tempo tem sido nosso amigo... Agora mesmo, em um novo tom, a nossa amizade ganhou força apesar da distância e talvez pela própria distância... Era hora de seguir firmes, em outras direções.
Poucas irmãs puderam ser tão unidas, realizamos o desejo verdadeiro da mamãe e uma das coisas mais bonitas que ela pôde nos dar foram as aspirações! “Quem tem boca vai à Roma”, repetia a valente... Mami ainda não chegou nem a vir a Madrid (Dona Elizane segue nos devendo a viagem à Roma), mas nos deu a coragem e pagou os estudos de idiomas necessários a que fôssemos nós por muitos lugares... E foi tão bom viajar com você, arrastar o sari na medida com você, ser presenteada com uma noite no trem hotel com você, escutar a sua risada com as poses Gisele, relembrar que vc é tão caladinha mesmo: Dayse, vc sempre fala pouco assim? Ahan! Rsrs!
Desde que você veio me ver eu vi um monte de coisa que eu sou capaz, porque unidinhas (como queria a mamãe) a gente consegue se ver melhor e o nosso amor nos dá força pra lutar pelos nossos sonhos!
 Desde 1990 o meu 17 de abril é mais feliz e o mundo é melhor com o seu sorriso, suas traquinagens e arquiteturas! Feliz Aniversário, meu bebezão!  A Tháta te ama!

A alegria do encontro - Aeroporto de Barajas


Passeando por Madrid

Acho que esse foi meu dia favorito!

Fes' Style

Queria tanto que você conhecesse um dos lugares que mais gosto!


Freezing and running pra conhecer Conhagen - Valeu Lívia



 Essa é uma típica foto Giseli!

Essa carinha de alegria é a minha alegria

Minha Dayse em Luguinho - Sweeties!

Momento Titanic em Malmö - Ideia da Nara!!

Compartilhando grandes e bonitas amizades

Smiling with her eyes!

No mesmo tom!

Sagrada Família

O bebê da Tháta!

segunda-feira, 30 de março de 2015

Gui pela Nath!

Guilherme sempre gostou da alegria, do carnaval, da festa e da VIDA. Tanto assim é que nos parece difícil conjugar no passado, Gui se conjuga sorrindo.
Para a nossa alegria, no carnaval de 2006 ele resolveu ficar em Viçosa para o Seara e, de alguma maneira, já estava ali escolhendo Teresinha... Tetê para os íntimos, pra ele, é claro!
Fizemos o caminho neste ano e a primeira coisa que aprendemos foi a oração que penetrou profundamente no coração do Gui: Senhor Deus, princípio e fim de todas as coisas. Nessa oração, ele reafirmou “a proteção constante, a presença insubstituível e amor que sustenta”.
O Gui adorava a chácara e de vez em quando escapávamos da universidade e passávamos a tarde lá! Adorava os carinhos do mundo e a beleza da criação, curtia praia, dia ensolarado, andar descalço, dançar, cantar... Mas reservava também tempo para a oração, para ler os textos da formação e para escutar Kely Patrícia!
Gui se tornou um grande amigo de Teresinha ainda que na F1  implicasse com o jeito meloso de Teresinha falar das flores. Típico dele, implicar com os bons amigos, rs! “Ah gente, bora pular logo pro Manuscrito B”, repetia nas formações.
Gui gostou de Teresinha porque ela não se complicou, nas suas próprias palavras: “Essa menina viu na simplicidade a presença de Deus. Sua vocação foi o Amor - amar. Ela caminha devagar e nós corremos atrás. Deus nos ajude a chegar lá!”.
Do mesmo modo que Teresinha encontrou o seu lugar na Igreja quando descobriu que queria ser o Amor, o Gui encontrou o seu lugar na Igreja quando descobriu A Pequena Via. Ele se encantou com a espiritualidade do baixo e com ele aprendemos um pouquinho mais sobre ser Comunidade, sobre respeitar as diferenças e nos despir de preconceitos... Participou na organização da primeira semana de Teresinha (e de outras mais), pensando, transformando em imagens que pudessem tocar e chamar as pessoas à presença de Deus. Participou do Projeto Vida Nova Viçosa e o transformou em festa, em partilha de vida... Dormíamos na chácara, rezávamos o terço da misericórdia, contávamos sobre nossas vidas.
A missão uniu extraordinariamente o Gui com a Pequena Via e construiu laços que não se rompem tão facilmente, nem com o tempo, nem com a distância, qualquer que seja ela. A nossa experiência com o Vida Nova Viçosa talvez nem tenha sido tão produtiva segundo os objetivos que tínhamos que era chegar aos jovens do bairro, mas  essa missão produziu nas nossas relações interpessoais frutos intangíveis e imensuráveis. São mistérios de Deus.
Nas palavras do Gui:  A comunidade, pra mim, passou a ter muito mais sentido quando me engajei de verdade em algum trabalho. E que a notícia sirva de convite pra quem precisa ainda se engajar de verdade. Ocupe seu lugar na comunidade irmão!!! Não espere da Fraternidade atenção, dê atenção a ela. A reciprocidade acontecerá naturalmente.
O Retiro de silêncio era a parte mais difícil pro Gui, ele gostava do retiro, da casa, da irmã, de Nossa Senhora da Alegria, mas a parte do silêncio não era a sua praia! E como era muito danado, no primeiro retiro que participamos, Gui organizou um encontro dos jovens de madrugada na cozinha. E adivinha?! O Padre Paulo pegou a gente com a boca na botija! Para a nossa surpresa, não levamos bronca! O Padre brincou, acolheu a nossa juventude com alegria e quando já era hora nos encaminhou para os nossos devidos aposentos!
Quando terminamos a graduação em 2009, o Gui organizou uma missa dos formandos na chácara. Fez questão de apresentar nossas famílias à parte mais bonita da nossa experiência em Viçosa: Ser Pequena Via!
Gui adorava essa frase que é de Quintana, mas também é muito Teresinha: “Eles passarão. Eu passarinho”.

Hoje Guilherme pode experimentar da sua plena liberdade na casa do Pai, que deve ser como uma tardezinha dessas na Chácara... A gente se vê! O seu amor está vivo em nós! Para sempre Gui.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Meu pretérito imperfeito


O pior dos passados é sempre o pretérito imperfeito.

Imperfeito pelo simples e doloroso fato de não se desdobrar em presente...

Imperfeito como amores que não eram capazes de enfrentar seus medos.

Como uma ponte que nunca terminava de ser construída...

Como o trem que esperava os últimos trilhos para poder conectar um lugar a outro, pessoas a outras...

Como o voo que não era capaz de atravessar todo o Atlântico, que não diminuía a distância entre dois continentes, nossos continentes.

Imperfeito como a escolha do gris em meio uma infinidade cores e possibilidades...

Os olhos verdes da cor dos teus montes não se fechavam nem se rendiam aos mais apaixonados beijos. Permaneciam vigilantes, obedecendo à alerta de não mais amar...

De todas as cores, a tua preferida já não será por ti contemplada, no céu mais azul amazônico.

Ai pretérito, é tão duro caminhar  pela tua imperfeição...

Por que não sabes conjugar passado e presente? Se souberas, já serias mais que perfeito...Eu sei, eu soube, eu sabia. Se eu soubera talvez...

A única forma de que sejas perfeito é reconhecer e conjugar no tempo certo: Foi BOM.

Ai pretérito, eu já sei, a única coisa que você me ensinou é que, como as cores, existem uma infinidade de conjugações, do qual o presente está altivo, confiante e soberano na arte conjugar o melhor dos tempos: O hoje...Nada mais que hoje...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

SI TÚ ME OLVIDAS


"QUIERO que sepas
una cosa.
Tú sabes cómo es esto:
si miro
la luna de cristal, la rama roja
del lento otoño en mi ventana,
si toco
junto al fuego
la impalpable ceniza
o el arrugado cuerpo de la leña,
todo me lleva a ti,
como si todo lo que existe,
aromas, luz, metales,
fueran pequeños barcos que navegan
hacia las islas tuyas que me aguardan.
Ahora bien,
si poco a poco dejas de quererme
dejaré de quererte poco a poco.
Si de pronto
me olvidas
no me busques,
que ya te habré olvidado.
Si consideras largo y loco
el viento de banderas
que pasa por mi vida
y te decides
a dejarme a la orilla
del corazón en que tengo raíces,
piensa
que en ese día,
a esa hora
levantaré los brazos
y saldrán mis raíces
a buscar otra tierra.
Pero
si cada día,
cada hora
sientes que a mí estás destinada
con dulzura implacable.
Si cada día sube
una flor a tus labios a buscarme,
ay amor mío, ay mía,
en mí todo ese fuego se repite,
en mí nada se apaga ni se olvida,
mi amor se nutre de tu amor, amada,
y mientras vivas estará en tus brazos
sin salir de los míos."

(Pablo Neruda)