quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Minha oração de hoje!


Não tenho medo de andar de avião. Na verdade eu tenho medo que um avião caia em cima de mim! Sabe-se lá porquê... Medos costumam ser assim, não se sabe muito bem onde eles nascem.
Eu inclusive gosto de andar de avião, e neste sentido, e talvez em outros, eu sou um pouco marxista, adepta às tecnologias para poupar tempo que poderá ser gasto com maior qualidade de vida. E os marxistas que me desculpem se eu tiver entendido errado!
Na época em que as passagens aéreas ainda não tinham preços mais acessíveis, fazíamos (eu com minha família) viagens homéricas para ver a praia e alguns parentes, 5 dias dentro de um carro, cruzando Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Pernambuco até chegar ao Ceará ou à Paraíba. Numa viagem de 5 dias qualquer CD, por melhor que fosse, ia à exaustão... Na verdade, os CD’s nem eram tão bons assim, Roberto Carlos, Zezé Di Camargo e Luciano, Elba Ramalho (essa sim é boa) e Chiquititas... Repertórios na ponta da língua no quinto dia de viagem... e ainda tinha a volta!!! Sem contar o tanto de xixi que se tinha que segurar, afinal de contas uma viagem longa como essa não poderia ser interrompida por qualquer motivo!
Também andei muito de ônibus e apesar de amar as “montanhas gerais” como tem repetido Paula Fernandes nas paradas de sucesso, a experiência com este meio de transporte tem sido um pouco mais traumática neste estado... E se é ruim pra mim, para o cobrador “pobrezito”, deve ser um saco! A cada roça em que se pára para deixar entrar no ônibus passageiros, periquitos, galinhas e um salgadinho muito comum neste estado, o famoso “gula”, o pobre cobrador lá vai contanto o número de passageiros denovo e passando poltrona por poltrona acordando aqueles que embarcaram no ponto inicial, e cuja passagem já foi devidamente conferida na entrada, para verificar a passagem. Toda vez eu me pergunto: E se eu perder essa passagem, o que vou fazer? Será que vou ter que comprar outra? E se eu não tiver dinheiro pra pagar? Melhor não perder! Nesse aspecto, acho que os rondonienses são bem mais tranqüilos, acho que tem menos medo de perder... Gostaria de anunciar aos cobradores de Minas que essa profissão em Rondônia é bem menos enfadonha!
Mas enfim, eu tenho bons motivos pra gostar de avião. Sei que os riscos são infinitamente menores do que uma viagem em solo! Como diria a avó de um grande amigo,o Guilherme, é muito melhor morrer de avião, porque você vira notícia, a família é indenizada. Segundo ela, se a pessoa morre em acidente de carro, fica lá estirada no asfalto num calor infernal, o defunto fica debaixo de uma lona preta e de vez em quando vem um curioso, levanta a lona pra ver se era alguém conhecido. Dona Regina, apesar dos exageros, tem razão, muito degradante morrer de acidente de carro!
Devo confessar, contudo, que toda vez que entro no avião tenho uma conversa séria com Deus, é claro que Deus conhece meus exageros e meu jeito trágico de ser, deve achar até graça das coisas que profiro. Digo a Ele que se for a minha hora, que conforte os meus familiares, peço perdão pelos meus pecados e que Deus, pela sua infinita misericórdia, e não pelos meus poucos méritos, me permita habitar no lindo céu.... Sabe-se lá, nem o dia, nem a hora, melhor estar com tudo em ordem com Deus né?!
Mas nessa última viagem não foi bem assim. Tendo lido um texto que foi como um bálsamo para minha alma, descobri que não podia colocar uma placa de “vende-se” nos meus sonhos, fiz uma oração diferente nesse último voo. Pedi a Deus que me deixasse viver, pois eu tinha muitos sonhos pra serem realizados, sonhos gestados no próprio coração de Deus. Acho que hoje poderia utilizar um dizer de Santa Teresinha com muito mais maturidade com que já utilizei outrora, “Deus não me inspiraria desejos irrealizáveis”... E se de alguma forma minhas aspirações mais profundas estão relacionadas a um projeto de santidade, são sonhos que o próprio Deus não quer que eu desista. Depois dessa oração, percebi-me uma pessoa muito viva, seja para ser feliz, seja para sofrer. O sofrimento então não deveria ser uma forma de encarar a vida com desmotivação, mas era mais uma forma de encarar, desse meu jeito exagerado de ser, a VIDA em abundância que o Cristo prometeu pra humanidade.
Naquele voo, a palavra de Filipenses pôde finalmente fecundar meu coração: Esqueço-me do que ficou pra trás e avanço para o que está a frente (Fl, 3, 13b).