quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pesquisando os Cinta Larga: "Olhar de dentro" ou "olhar de fora"?


Não havia dúvidas de que seria o Norte, nunca fui tão rondoniense desde que cheguei em Minas...
Ao mesmo tempo, quando volto a Rondônia, já não é possível olhar para a sua realidade sem o olhar do "outro", sem o modo de olhar que refinei em Minas...
Aquilo que me traz a Minas, aquilo que me traz ao universo em cidade, que me traz a Viçosa, que faz de mim uma pesquisadora, mesmo que ainda de forma incipiente, é uma mistura daquilo que não poderia deixar de ser, mas daquilo que eu escolhi ser..
Já não é possível pesquisar sem no fundo procurar por uma estória (a minha história) que perpassa a História, o contexto de Modernização, lógica do progresso, construção das rodovias, construção das hidrelétricas, exploração madeireira, garimpo etc...É como se eu pudesse redescobrir um eu para além do próprio eu..
Quando ainda na graduação recebi o convite para estudar os assentamentos rurais na iniciação científica, tudo era muito novo..e haviam muitas representações acerca dos "sem terra"... É assim, a gente representa aquilo que não conhece...a gente cria padrões de comportamentos e, a gente, ás vezes não percebe, que esses padrões nos são impostos... É claro que da iniciação científica emergiram vários resultados, obviamente científicos, mas o contato com tantas estórias transformou o meu olhar em relação aos assentados, que já não eram "baderneiros", "oportunistas", "preguiçosos", mas pessoas com sonhos e ideias tanto quanto ou maiores que os meus...Pessoas que queriam ser felizes..e cuja felicidade se concretizava com bem menos complexidade do que para mim...Felicidade, para eles, é ter uma terrinha pra plantar, é não ter que oferecer a sua força de trabalho a um empregador, é ter um lugar tranquilo para criar os filhos, era passar os últimos dias de vida ao lado do "meu véio".
Contudo, quando pude dar os meus primeiros passos na academia me vinha o desafio de escolher o tal objeto de pesquisa... Era hora de olhar de olhar para mim, para os meus, para os distantes de mim, para os que eu também representava como "preguiçosos", "oportunistas", "aculturados", "capitalistas".
Foi assim que os Cinta Larga, aquilo que estava latente da minha estória, entraram de forma vertical na minha vida..Não mais aos olhos daquela menina conformada e conduzida pelo com o olhar das maiorias, mas por essa que tem desejo de conhecer a lógica indígena de movimento aos mundo dos bens, aquela que anseia desvendar os desejos e os anseios dos atores sociais que compõem o conflito em torno da exploração de diamantes, índios, garimpeiros, população local...Olhar dos rondonienses, dos rondonianos marcados pela lógica do progresso, para descobrir o que, de fato, compõe a nossa História.
É assim que sigo: cada dia em Minas faz de mim mais rondoniense.


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